depoimentos




 À Comissão Organizadora do DIDA ARA

Parabéns, esse evento balançou o Rio Grande do Sul, que venha o II Dida Ara.
Lilian Santos
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Caros irmãos na cultura,

Alupô!(saudação a exu no Batuque)

MARAVILHA!!!!!!! O I Encontro Nacional de Tradições de Matriz Africana e Saúde superou as expectativas.Vida longa a Baba Diba. Como é linda nossa Mãe Iemanjá.

Tivemos quatro dias de capacitação intensa em saúde de comunidades de matriz Africana, em Porto Alegre. A estrutura do evento, que tinha como base o trabalho coletivo dos mediadores e a organização do evento, foi um sucesso.

As pautas foram interessantes, dia 18 fomos ao Mercado do Bará, patrimônio da cultura de matriz africana em Porto Alegre, onde foi realizado uma interferência com cânticos a Bará. Depois fomos ao Rio Guaíba saldar as águas e entregar os presentes, de forma sustentável. Lindo esse gigante que banha Porto Alegre.
No dia 19 dei palestra  sobre saúde ambiental de matriz africana, com a proposta de realização de oficinas  de ecologia e sustentabilidade de matriz africana na Rede Nacional de Tradições de Matriz Africana e Saúde. Como contrapartida eles ficaram de trazer a discussão de saúde de matriz africana para o GT de matriz africana. Me chamou a atenção o debate, pela confiança das pessoas tocarem em assuntos com mudança de sexo, célula tronco, anemia falciforme, tuberculose  e outros temas relacionados.

Na terça-feira, dia 21 de 09 participei de uma roda de convivência com a juventude de matriz africana e chamei a atenção para necessidade de enfatizar o saneamento e a preservação ambiental, focando nos recursos hídricos e na redução de doenças, oriundas dos vetores que se reproduzem no lixo e na água poluída. Outro ponto interessante foi  a criação de um núcleo de juventude de matriz africana do RS, estrutura para tratar das questões ligadas aos nossos jovens de matriz africana. Achei uma iniciativa maravilhosa, pois temos verdadeiros talentos em nossas comunidades, que são subaproveitados, por conta da falta de recursos e da desvalorização desses jovens talentos.


Durante o encontro os temas abordados foram:


-       Promover debates e ações antitabagismo, drogas licitas e ilícitas para comunidades de matriz africana.
-       Produzir material educativo sobre prevenção às DST AIDS e métodos conceptivos.
-       Promover políticas de saúde com práticas educativas e humanas que melhorem a qualidade de vida do indivíduo físico/mental.
-       Promover encontros sobre diversidade sexual e gênero na juventude de matriz africana.
-       Promover e capacitar em segurança alimentar nas comunidades de matriz Africana.
-       Inserção de jovens de matriz africana nos conselhos gestores (saúde, meio ambiente, educação e cultura por exemplo)
-       Ecologia e sustentabilidade de matriz africana.
-       Capacitação e inserção de práticas sustentáveis.
-       Utilização de produtos biodegradáveis, reciclagem e promoção da coleta seletiva.
-       Promoção de espaços verdes.



Como podemos perceber, o povo de matriz africana,é quem produz sua própria cultura há milênios, está cada vez mais percebendo a importância de se tornar protagonista de suas ações.

Foi muito importante nesse encontro observar o compromisso do povo gaúcho de fala rápida e explicada, BÁ!!  O Ponto alto foi
Mestre Borel, sábio que com suas frases repletas de poesias, nos ensina a  trilhar o caminho do fazer cultural e valoriza o processo de amadurecimento do indivíduo e seu desenvolvimento cultural e filosófico. As palavras seguras desse grande mestre, quando enfatizou a necessidade de vivenciar a cultura e ser fiel à suas práticas e seus mestres, nos faz perceber que suas práticas culturais são uma terapia preventiva que resulta em qualidade de vida. Afinal Mestre Borel está no alto de sua interação orgânica com a natureza, aos 87 anos. Sua lucidez reforça e afirma, que a medicina tradicional das comunidades de matriz africana precisam ser preservadas e não modificadas. Por isso, o Estado precisa de informações específicas para atender essa população de forma a respeitar suas características  culturais e biológicas. 

Desta forma, seria de extrema importância a presença do Estado no encontro. A ausência da Secretária de Saúde do Estado e Município saltou aos olhos. Ainda hoje os gestores públicos dispõem da máquina do Estado como se fosse o quintal da sua casa. Parece que alguns segmentos do Estado só apóiam iniciativas como esta se for na condição de tutor de grupos menos favorecidos, para dominá-los e catequizá-los. A questão é que precisamos de parceiros e não precisamos que falem por nós, sem saber a nossa língua. Vi nessa ausência um grande desrespeito do Estado do Rio Grande do Sul e em contraponto a grandiosidade dos atores culturais de matriz africana e sua luta.

Aproveito também a oportunidade, como coordenador da Omo Aro Cia Cultural e membro do GT de matriz Africana dos pontos de cultura, para declarar meu apoio e pedir o seu ao Senador Paulo Pain, guerreiro incansável na causa da cultura de matriz Africana.



Que Iemanjá, nossa Mãe, dê força para Baba Diba e à comunidade de matriz africana, para resistirmos a esse assédio moral do Estado.

Aderbal Ashogun.
Consultor para Práticas Religiosas em Areas Protegidas.
Coordenador do Programa Oku Abó - Espaço Sagrado
Comissão Nacional dos Pontos de Cultura.
Colegiado GT Matriz Africana
Coordenador do Ponto de Cultura Oku Abo - Curso de Vivências Culturais do Complexo cultural Gêge-nagô.
Subcomissão de Articulação CNPDC
Brasileiro 
Contato:021-2611-1239/7833-3271
Nature
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ba Diba
Mojubá
Muitas vezes achamos que chegamos ao limite, nos sentimos cansados, e que a luta pela qual em alguns momentos deixamos até mesmo de viver nossas vidas para se dedicar a causa, não vale mais.
Puro engano.

O Dida Ará, evento tão sonhado e desejado pelo senhor há muito tempo, materializado nesses dias inesquecíveis, mostrou que tudo pelo o que foi feito valeu a pena.
No carinho da recepção da organização desde a chegada do aeroporto, da alegria viva e sentida por cada participante, a energia que todo momento emanava dos Orixás que estiveram presentes durante todo o evento, pela harmonia mantida, onde se via a atmosfera de várias cores.

Fiquei pensando nas palavras a dizer, e só posso agradecer.
Agradecer pela maneira que o senhor e toda a organização nos recebeu, pelo carinho com minha Yalorixá Nanci de Oxum, que se apaixonou pelo senhor, pois ao te ver me disse, ele emana ás águas de Yemanjá, a Mãe de todos e passa a serenidade de uma pessoa que conhecemos a muito tempo.

A alegria e felicidade era  vista de longe no rosto de cada participante.
No batuque realizado  em sua casa, onde vimos nas crianças presentes na roda a continuação da tradição.
Há um vínculo que nos une que é maior do que imaginamos, e esse vínculo é   a nossa ligação que temos com África, que nos  torna uma grande família, pois mesmo após a diáspora, estamos nos encontrando.
Que as bençãos de todos os Orixás façam com que muitos outros Dida Ará venham, continuando essa corrente infinita.
Asé Asé Asé
Ile Axé Ugy Omin Ayê
Yalorixá Nanci de Oxum
Ekedy Silvana de Oxum


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Eu gostaria de começar a minha fala recitando um Itan .

'' O beija-flor na cultura Ewe Efon é tratado como Ágüe, ou seja, o deus das vegetações, para os yorubas é Osayin, para os bantos Katende.
O beija-flor encantado na divindade águe viu a mata pegar fogo, ficou apavorado e começou a fazer longas viagens até o rio mais próximo para pegar água e apagar o fogo. Pegava uma gota em seu pequeno bico, retornava até o local do incêndio e largava a gota de água que pegou. Assim fez várias vezes incansavelmente. Os outros Voduns (o mesmo que os Orisas e Nkisis) começaram a caçoar dele rindo, debochando, zombando e o perguntaram: você acredita que estas gotas de água vão apagar esta imensidão de fogo? E rápido, ele respondeu: não, não acredito, mas, estou fazendo a minha parte
”.
Assim vejo o trabalho árduo de Baba Diba de Yemonja correndo os quatro cantos do mundo em prol de sua raça, de seu povo e sua religiosidade rompendo barreiras, sendo discriminado, boicotado, enfim. Mas nada disso o impede de continuar seguindo os desígnios de seu Orisa.Vem cumprindo com dignidade e sabedoria, nos mostrando cada vez mais a importância de sermos de comunidade de terreiro, e nos orgulharmos.
Na verdade tive muitos momentos de grandes emoções no evento, principalmente quando me vi entre meus mais velhos do Brasil lutando pela mesma causa num espaço mágico, que só os nossos ancestrais poderiam aprovar mediante tantas autoridades cujo nome reconhecido nacionalmente e muitos internacionalmente. Ali estava o melhor time da elite Afro-brasileira.
As belas falas do professor Jayro Pereira do (Egbe Orun Aiye associação afro-brasileira para estudo teológicos e filosóficos das culturas negras /BA),quando falou dos trabalhos de saúde dentro dos terreiros. Bem, não poderia deixar de citar as presenças marcantes e felicíssimas palavras Makota Valdina Pinto (tannuri junssara / BA), Aderbal Asogun (Ile Ase Omi Ojo Aro / RJ); Prof. Dr.e oga Hédio Silva Junior (Diretor do CEERT-SP/SP). E jamais poderia deixar de lembrar a presença marcante que foi Oga José Marmo de Ososi/RJ, Iya Torodi de ogun/RJ, Oga Jorginho de Sango /RJ, Mestre Borel de Sango/RS, Mãe Nilce de Iyansa/RJ, Ekeji Silvana de ogun/SP, Mãe Maria de Osun/RS e Alberto Jorge de Manaus/AM.
Estas pessoas se tornaram muito importante na minha vida, pois, hoje não saberia como viver sem a presença deles. Que meu pai Sango e Ogun continuem fazendo com que o nosso povo permaneça nesta luta da preservação de nossa ancestralidade religiosa e cultural e que eventos como esse continuem acontecendo em vários pontos do nosso País.
ASE!

Pai Jorge Kibanazambi
Babálòrisa do Ase Ayra Kiniba
Ólukò Ati Ade Yoruba
Presidente da Associação Beneficente Afro-brasileira São Jerônimo e São Jorge
Coordenador de Cultura do FPRMA
Presidente da Companhia de Dança do Grupo Obatala
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Mo júbà egbon mi!
Quero dizer a todos o quanto fiquei feliz em participar do Didá Ará, que certamente já entrou para a história. Foi um evento emocionante, um espaço de aprendizado, troca de saberes, movimentação de àse, enfim, de fortalecimento e saúde. Diversos foram os momentos em que me emocionei mas, de todos eles, o que vou levar na minha memória com bastante carinho é a fala da Makota Valdina, quando disse, entre outras coisas, que somos apenas gotas dágua... foi uma grande lição de humildade, virtude que está cada vez mais rara, quanto mais nos afastamos dos conceitos que nossa mãe África nos legou. Somos pequenas gotinhas dágua, que juntas, unidas, formam o oceano, como toda a sua força e poder de gerar a vida. Essa noção, tão elementar, infelizmente foi esquecida pelo nosso povo. Nos orgulhamos de ter 40, 50, 100 mil terreiros no Rio Grande do Sul, mas não conseguimos mobilizar mais de 500 pessoas para um evento dessa grandiosidade e totalmente gratuito, enquanto os evangélicos reúnem 50 mil fiéis em qualquer culto-show.
De qualquer forma, estão de parabéns todos aqueles que se dedicaram para a realização deste evento, superando inclusive o racismo institucional, e espero ansiosamente que o Didá Ará entre para o calendário anual da nossa religião e que mais irmãos e irmãs se envolvam neste processo de construção da saúde pública pela perspectiva das comunidades tradicionais de matriz africana.
Agradeço por ter me abastecido do amor e do carinho de vocês e por ter bebido em tantas fontes de saber.
Àse gbogbo!
Ifenukonu,
Vanessa Efunpàdé de Yemojá